Seu corpo se lembra do que a rotina fez você esquecer. O Contato com a natureza vai além de uma sensação agradável: estudos indicam efeitos positivos sobre o estresse, os pensamentos repetitivos e a percepção de bem-estar.
Por que o contato com a natureza faz bem?
Passamos cada vez mais tempo entre telas, ruídos, notificações e ambientes fechados. Mesmo durante os momentos de descanso, o cérebro continua recebendo estímulos e processando informações.
Ambientes naturais oferecem outro tipo de experiência. Sons suaves, movimentos orgânicos, luz natural e paisagens amplas podem favorecer uma pausa na atenção dirigida e ajudar o organismo a sair, ainda que temporariamente, do estado constante de alerta.
Isso não significa que a natureza cure ansiedade, depressão ou outras condições de saúde. Entretanto, as evidências mostram que ela pode ser uma importante aliada do bem-estar e complementar outros cuidados.
O que acontece no cérebro depois de uma caminhada na natureza?
Um estudo experimental publicado na Molecular Psychiatry comparou os efeitos de uma caminhada de 60 minutos em uma floresta e em uma rua movimentada.
Depois da caminhada na natureza, os participantes apresentaram redução da atividade da amígdala, região cerebral envolvida no processamento do estresse. Após a caminhada urbana, essa atividade permaneceu estável.
O resultado não significa que uma única caminhada elimina o estresse. Ele mostra, porém, que o ambiente onde caminhamos pode influenciar a maneira como o cérebro responde a ele.
Menos espaço para pensamentos que não param
Você já percebeu como certos pensamentos parecem se repetir justamente quando está mais cansada ou sobrecarregada? Esse processo é conhecido como ruminação.
Em outro experimento, publicado na PNAS, uma caminhada de 90 minutos em um ambiente natural foi associada à redução da ruminação autorrelatada e da atividade em uma área cerebral relacionada a esse padrão de pensamento.
Entre os possíveis benefícios do contato com a natureza observados pela ciência estão:
- redução do estresse percebido;
- diminuição de pensamentos negativos repetitivos;
- melhora do humor e da sensação de vitalidade;
- maior percepção de calma e restauração mental;
- associações positivas com pressão arterial, frequência cardíaca e cortisol.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na Environmental Research encontrou resultados favoráveis em diversos indicadores de saúde. Como os estudos utilizam métodos diferentes, os efeitos não são iguais para todas as pessoas.
Quanto tempo na natureza é necessário?
Uma pesquisa com quase 20 mil pessoas encontrou uma associação entre passar pelo menos 120 minutos por semana em ambientes naturais e relatar melhor saúde e bem-estar.
Essas duas horas podiam ser acumuladas em diferentes visitas. Ainda assim, o estudo foi observacional: os 120 minutos são uma referência interessante, não uma prescrição médica nem uma garantia de resultado.
Você pode começar de forma mais simples:
caminhe alguns minutos em uma praça arborizada;
- faça uma refeição perto de uma janela com vista para o verde;
- visite uma praia, parque ou jardim sem usar o celular o tempo todo;
- observe conscientemente os sons, as cores e os movimentos ao redor;
- inclua pequenos momentos ao ar livre na rotina semanal.
Mais importante do que buscar a experiência perfeita é estar verdadeiramente presente durante o contato com a natureza.
Natureza e terapias integrativas podem caminhar juntas?
O contato com a natureza pode complementar práticas voltadas à consciência corporal, ao relaxamento e ao autocuidado. Meditação, mindfulness, yoga e outras abordagens integrativas podem incorporar ambientes naturais quando isso for seguro, adequado e coerente com a proposta do profissional.
Para terapeutas, os estudos oferecem uma base interessante para conteúdos educativos e práticas responsáveis. É importante, porém, comunicar os benefícios sem prometer cura ou substituir acompanhamento médico e psicológico quando necessário.
Voltar à natureza também pode ser uma forma de voltar para si
A ciência ainda investiga quais ambientes, frequências e experiências produzem os melhores resultados. Mas as evidências disponíveis apontam na mesma direção: criar espaço para o contato com a natureza pode contribuir para reduzir a sobrecarga e favorecer o bem-estar.
Talvez cuidar de si não seja apenas fazer menos. Talvez também seja voltar, por alguns minutos, para aquilo de que você faz parte.
E você: em qual lugar da natureza sente que consegue respirar melhor? Conte nos comentários.
Se a sobrecarga estiver pedindo um cuidado mais estruturado, acesse a Surya para conhecer diferentes terapias integrativas, comparar perfis de profissionais e encontrar uma abordagem alinhada ao seu momento.
Referências bibliográficas
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Bratman GN et al. Nature experience reduces rumination and subgenual prefrontal cortex activation. PNAS, 2015. https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.1510459112
Twohig-Bennett C, Jones A. The health benefits of the great outdoors: a systematic review and meta-analysis of greenspace exposure and health outcomes. Environmental Research, 2018. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0013935118303323
White MP et al. Spending at least 120 minutes a week in nature is associated with good health and wellbeing. Scientific Reports, 2019. https://www.nature.com/articles/s41598-019-44097-3
Capaldi CA, Dopko RL, Zelenski JM. The relationship between nature connectedness and happiness: a meta-analysis. Frontiers in Psychology, 2014. https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2014.00976/full
